Páginas

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

PEDAGOGINGA

ARTIGO:
PEDAGOGINGA
Marcos Fabrício Lopes da Silva*
Viver significa completar-se em outro, desde o metabolismo – que já é troca – até as relações sociais, os laços de estreita intimidade. Tudo o que existe é potência: particularmente, todo vivente é uma quantidade de força, é o que Aristóteles chamava enérgheia, Spinoza chamava conatus, Freud chamava libido e Nietzsche, vontade de potência. No ser humano a potência se manifesta como dinâmica expansiva. Como ressalta Platão, no Banquete, a vida, em Eros, é filha de Penia – “penúria” – e de Porós – "abundância". Para saber lidar com essa dinâmica dos contrários que compõe a condição humana em sua complexidade, viver requer "pedagoginga", como diria o escritor e educador Allan da Rosa. Entre a tensão e o tesão, somos potências finitas, “uma vida dissipada”. Para evitar o desperdício de energia, é preciso calcular a nossa potência, ter noção do que podemos e não podemos fazer e, portanto, do que devemos buscar e do que convém abandonar.
Para fazer essa importante avaliação, aconselha Santo Agostinho: “não busques fora, entra em ti mesmo: no interior do homem habita a verdade”. Aqui, o entrar em si mesmo não coincide com o fechar-se de maneira ciumenta no próprio eu ou com o interessar-se só pelos próprios problemas: significa, rigorosamente falando, fazer de si o problema por excelência. O autoconhecimento, como ressaltou Sêneca, é a oportunidade reflexiva de que dispomos para “fugir da escravidão de si”. Somente compreendendo-se como momento de uma natureza maior, é possível alcançar a nossa justa dimensão – nem mais nem menos –, calcular o nosso efetivo peso e valor, definir com maior exatidão as nossas competências e habilidades.
A finalidade da educação é, segundo Aristóteles, a felicidade ou o bem. O bem, para ele, está no funcionamento da parte mais elevada da natureza humana, ou seja, a razão. O “bem do intelecto” e o “bem do caráter” devem assim andar juntos, visando à construção de um universo mais harmônico para a vida em plenitude. Curioso notar que o termo “mundo” tem a mesma raiz da palavra latina mundus, que indica a limpeza, a nitidez; o mesmo significado tem a palavra grega kósmos, de onde vem cosmético, decoro, elegância. Ter uma imagem do mundo significa pensar a realidade como um conjunto ordenado sem o qual seria irrepresentável e nem seria possível perceber a desordem. Portanto, é na aposta com o enigma da existência, no empenho pela verdade que os seres humanos podem encontrar as razões da sua vida e vivê-la bem.
Alimentado pela sabedoria popular, prefiro acreditar que a educação é a arte de construir um mundo bonito pra daná! Reconheço a presença da razão muito mais como “cócegas mentais” que nos divertem à beça. Fico menos com a idéia de razão como guia à formação do caráter para fazer coro às palavras do professor Eduardo Gianetti, em A ilusão da alma: biografia de uma idéia fixa (2010): “a curiosidade está para o conhecimento como a libido está para o sexo. Não há um sem o outro [...] A dúvida abre um vácuo a ser preenchido; uma carência a ser saciada pela centelha de uma solução. A inquietação genuína diante de um problema é a modalidade intelectual do desejo”. Nesse sentido, compreende-se melhor que a emoção reduzida ao prazer já é aquela separada da razão, perdendo o sentido de importância pessoal e social dos relacionamentos.
O crítico da erudição enciclopédica e preciosista, o professor Guy Claxton, em O desafio de aprender ao longo da vida (2005), corajosamente disse: “inteligência aumenta se pensamos menos”. A aprendizagem humana está mais para o modo de ser da tartaruga do que da lebre. Acumular informações não é propriamente pensar. Pensar é fazer coleta seletiva a favor da reciclagem cultural continuada. De maneira bem humorada, Claxton anda fazendo entre nós o elogio da lentidão, denunciando a ferocidade da cultura da velocidade. Pela pressa de viver, as pessoas estão ignorando as sutilezas do bem existir. Enquanto a delicadeza tem a ver com a lentidão, a violência tem a ver com a velocidade. Logo, a emoção não pode ser produzida por atacado, de qualquer maneira, porque tem seu ritmo, sua espera, sua saudade, e a aprendizagem profunda precisa de ritmo próprio, para amadurecer com solidez. Por isso, é fundamental perceber o compromisso da educação com o incentivo da sensibilidade, com “a profundidade corporal da envolvência”, segundo destaca o sociólogo Pedro Demo.
É com a educação que enfrentaremos com originalidade e esmero o problema da pobreza material e imaterial, assunto que foi mote do antológico samba Ratos e urubus, larguem a minha fantasia (1989), interpretado por Neguinho da Beija-Flor: “Reluziu...É ouro ou lata/Formou a grande confusão/Qual areia na farofa/É o luxo e a pobreza/No meu mundo de ilusão/Xepa de lá pra cá xepei/Sou na vida um mendigo/da folia eu sou rei/Sai do lixo a pobreza/Euforia que consome/Se ficar o rato pega/Se cair urubu come/Vibra meu povo/Embala o corpo/A loucura é geral/Larguem minha fantasia/Que agonia... Deixem-me/Mostrar meu carnaval/Firme... Belo perfil!/Alegria e manifestação/Eis a Beija-flor tão linda/Derramando na avenida/Frutos de uma imaginação/Leba - laro - ô ô ô ô/Ebó lebará - laiá - laiá - ô”.
A educação é o drible da liberdade dado entre as canetas do cárcere. Como bem cantou Martinho da Vila, no fabuloso samba Onde o Brasil aprendeu a Liberdade (1972): “Brasileiros irmanados/sem senhores, sem senzalas/e a Senhora dos Prazeres transformando pedra em bala”. Foi também pelo samba que tivemos um brilhante resumo de educação no sentido constitutivo que define por excelência seu papel emancipador. Em 1989, em plena redemocratização, a Imperatriz Leopoldinense arrepiou o Brasil: “Liberdade, liberdade/abre as asas sobre nós/e que a voz da igualdade/sempre seja a nossa voz”.


* Professor das Faculdades Ascensão e JK, no Distrito Federal. Jornalista, poeta e doutor em Estudos Literários pela Faculdade de Letras da UFMG.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

HIMBA

Encontrado na região desértica do noroeste da Namíbia e no sul da Angola, esse grupo étnico é conhecido pela tradição de passar na pele e no cabelo uma mistura de ocre vermelho, gordura e resina aromática como forma de proteger a pele contra o sol forte e o clima seco do deserto, além de evitar picadas de mosquitos.
Com uma população atual de cerca de 50 mil pessoas, esses homens e mulheres faziam parte do grupo Herero que migraram da África Oriental, no século 16. Os Himbas permaneceram na região norte de Kaokoland, enquanto os Herero se dirigiram para o sul.

⇒ meninos e meninas Himba são identificados com cortes diferenciados de cabelo;
⇒ os meninos têm apenas uma trança virada para trás e as meninas possuem duas tranças caídas sobre o rosto. As garotas Himba, quando chegam à puberdade, usam várias tranças cobertas com a tradicional mistura de ocre;
⇒ as mulheres ainda se vestem de forma tradicional, com apenas uma saia de pele de animal e muitos adereços;
⇒ o colar de conchas mostra a feminilidade das mulheres Himba e o pedaço de couro na cabeça indica o seu estado civil;
⇒ os homens desse grupo podem ter mais de uma esposa e, quando se casam, usam um tecido na cabeça;
⇒ suas casas são construídas com madeira, barro e esterco em volta de um lugar para manter o rebanho e o local do fogo sagrado;
⇒ os homens pastoreiam o rebanho e as mulheres fazem a maior parte dos trabalhos, como trazer água, cuidar das crianças, tirar leite das vacas;
⇒ os Himba vivem da criação de gado, ovelhas e cabras, e as vacas só são abatidas em ocasiões especiais;
⇒ esse grupo étnico se alimenta, basicamente, de mingau de milho e leite com adição de carne de cabra;
⇒ para os Himba, o fogo sagrado reverencia e se comunica com os ancestrais, considerado um local para ocasiões especiais.

http://viagemempauta.com.br/2015/01/06/povo-himba-da-namibia/


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Esperando meu príncipe de "Zamunda "
Assistindo "Um príncipe em Nova York" ... um clássico de 1988 tão atual quanto qualquer discussão racial em Todo Mundo Odeia o Chris.
Caso não queira assistir nenhum filme de Malcon X ou documentários que ao seu ver são chatos demais p fazer análises raciais, esse filme além de garantir boas risadas, lhe traz leituras raciais interessantes.
No salão Afro a discussão sobre a mudança de nome de "Cassius Marcellus Clay" para Muhammad Ali, me... lembrando a época que eu trabalhava em salões afros entre diálogos alienantantes e politizados.
A venda do produto para cabelo crespo Soul Glo, nada diferente dos produtos que viraram febre no Brasil intitulados "Beleza Natural", que fiquem molhados, cacheados, soltos e sedosos, e "NATURAIS" é claro! !!!! No nível das campanhas "EU AMO SER CACHEADA".
Akin querendo mudar as textura do cabelo com a fórmula natural, para ficar mais parecido com os afroamericanos e conquistar Lisa !
Semana da Consciência Negra na igreja evangélica, apontando para as bundas mais arredondadas das "mulatas afro-americas", algo parecido com o que vemos por aqui ? No mês de novembro? Será ?
Akin, um principe africano que não lava nem seu pênis sozinho, (eu não lembrava dessa cena da serva lavando o pênis do principe), eu hein!
Não lava o pênis sozinho, cita Nietzsche e procura uma mulher preta que não o queira apenas pelo seu dinheiro, e que além de tudo seja politizada, acho que Akin deveria ter vindo ao Brasil "escolher " a princesa de Zamunda!!!

Olha eu aqui ...


quarta-feira, 15 de abril de 2015

As Rainhas estão prontas.

Sou a continuidade de mulheres negras que eram rainhas, que eram lavadeiras, que eram prostitutas ... sou a continuidade daquelas que nunca conheceram a escrita, daquelas que escreviam receitas naquele pedacinho velho de papel.  Daquelas pretas que nunca conheceram o verdadeiro amor de um homem preto e daquelas que sempre o tiveram ali do lado como um eterno companheiro.
A minha africanidade está na marca que trago no corpo e na alma, Layla do sorriso largo, debochada, sarcástica, risonha, de pele de ébano, dentes separados, olhos amendoados, estatura pequena, de quadris balançantes, mente pensante de nádegas avantajadas, voz alta de timbre forte, uso o poder da minha oralidade desde a tenra idade, sou um rio de crespos emaranhados, tenho característica de um povo que ficou perdido por ai, em corpos que ficaram no mar, na trajetória do navio negreiro, em danças de roda em algum Maranhão.
Tenho minha ancestralidade pintada na carne, nos traços e me reconheço em mulheres pretas como eu!
As Rainhas estão prontas.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

ME ACHE ENTÃO ...

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.

Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você. 

O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você. 

No final das contas, você vai acharnão quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!
Mario Quintana

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

VENHO DE UM REINO NÃO TÃO DISTANTE


Por Layla Maryzandra
foto:valéria mattus 
Eu também luto por uma sociedade justa e igualitária, também compreendo que muitas feministas lutam pela desconstrução da imagem de “mulher princesa”, principalmente por todos os estereótipos e opressões imbutidos na mesma.
No entanto, sou uma mulher preta de periferia, estou entre aquelas que normalmente nunca foram visualizadas e muito menos tratadas com as pompas de uma “realeza”, a nós sempre ficou o título de sermos invisíveis, a árvore do cenário.


Bom, é por essas e por outras que não canso de dizer que sou sim uma Princesa, e sou daquelas que, acorda descabelada, tenho um pijamas que perderam o elástico, uso meias coloridas e furadas. Não sou uma boneca, mas sou uma princesa. Quando durmo mal tenho olheiras. Sempre sujo a toalha da cozinha, sempre deixo o leite derramar, sou desastrada. Sou bagunceira. Não sei rir baixo, tão pouco falar. Adoro andar de meia pela casa, ou então de pé no chão mesmo. Falando em chão, adoro sentar no chão.
Sim, sou uma princesa. Falo gesticulando, meu choro é verdadeiro, fico com nariz entupido, olhos vermelhos, fanha, as lágrimas saltam. Não sou o tipo de princesa que chora com delicadeza e ainda pega lencinho. Eu limpo o nariz na manga da blusa. De vez em quando eu tenho espinha. Me sujo comendo sorvete. (...)



Não respiro pra falar. Me agito pra falar. Me embolo pra falar. Me embolo pra tentar explicar o que estou sentindo. Me embolo no meio dos sentimentos todos. Tenho cabelos de princesa, não é liso, não é cacheado, não é ondulado, ele é crespãooo. Não dá pra fazer tranças longas e jogar pela janela, mas dá pra fazer um blackzão e sair tirando onda com a galera!!! Minha coroa não foi feita de ouro, foi feita de pano, assim como as pequeninas abayomis no trajeto do navio negreiro.
A princesa aqui não leu Simone de Beauvoir e Emma Goldman, mas tem como referencia em suas pesquisas, Carolina de Jesus, Sueli Carneiro, Lélia Gonzáles, Alice Walker, Nilma Gomes, Rosa Parks, Malcon X, Martin Luther King, Mandela e por que não Jesus Cristo!! Enfim a Princesa é preta e não vê problemas em ser cortejada, no mundo em que ela viveu, ela não foi a Cinderela, não foi a madrasta má e muito menos as irmãs invejosas da frágil princesa, a princesa preta estava na cozinha, tentando reescrever a sua própria história, enquanto seu personagem, nunca ao menos existiu.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

E SE O "AMOR" NÃO CHEGAR, VOU REINVENTA-LO

    Vivemos em uma sociedade, onde a mulher parece nascer fadada a alimentar a história das princesas Disney por toda eternidade, e quando não é a Disney, é a igreja reproduzindo em nossas cabeças a mesma histórinha sem fim.
      Bom, sou uma mulher preta, que depois de alguns anos "descobriu" que o fato de ter nascido de cor escura, foi-me imposto a falta de vivência plena de uma relação afetiva entre meus pares héteros pretos, descoberta essa que já me rendeu poucas horas de sono, revolta, raiva, tristeza e por ai vai.
    Consegui transformar grande parte disso em trabalho, tentando de alguma forma "ajudar" homens e mulheres pretas a se verem, há costurarem o que foi cortado pelo colonizador. E a cada casal preto que eu vejo dando certo de verdade, e não tô falando somente daquela lambenção de mimi não ( que também tem sua importância), mas falo de um casal preto que se respeita, e que compreende que está ao lado daquela mulher é uma dádiva, principalmente pelo histórico que ela carrega.
      Pois bem, esses dias deparei com meus anseios afetivos, e lembrei que sempre fui uma pessoa diferente, isso na infância, na adolescência e claro que iria repercutir na fase adulta, hoje tenho 32 anos, sou ativista negra e educadora, nunca casei e nem tenho filhos, tenho uma vida bem diferente das mulheres que estudaram e conviveram comigo, seja as mulheres da família, as do ensino médio ou as da faculdade. A maioria delas estão casadas e com filhos e são brancas.
        E nesses pensamentos me questionei: Será que eu nunca vou casar, nunca vou ter filhos (sempre quis adotar), e se eu fosse exatamente como sou, e fosse uma mulher branca, como seria ... pq de uma coisa eu sei, feia eu não sou, e alienada também não (modesta né!!! EMPODERADA) Será que seria aquelas brancas feministas que pegam geral, (fingem não está nem ai para o amor) xingam a torto e a direita e sairia com os seios a mostra e que os rapazes militantes acham um máximo (e que se casam com nossos homens pretos) ... ( QUERO NÃOOOO). 
        É ser essa metamorfose ambulante, chamada de Layla não é, e nunca foi fácil, sempre achei que a culpa era do meu signo aquário, depois me disseram que era minha cor, depois disseram que eram minhas escolhas, mas percebi que na verdade no final das contas eu nasci assim e não tinha como mudar muita coisa, porque sempre fui "santa" (não no sentido de puritana ou algo do tipo, mas no sentido de separada, escolhida), e na verdade sempre tive dificuldades de compreender.
      O que me resta, é me preparar psicologicamente caso o "amor não chegue"(ohh mulher sem fé) não é questão só de fé é algo social, parece que eu escolhi ir logo para o lado mais complicado né, mulher, preta, aquariana, pobre, militante, cristã, inteligente, bonita e com um ótimo senso de humor, uma pessoa dessa nunca entraria nos moldes do "casamento" europeu ... bom ele chegando ou não, terei que reinventa-lo como sempre tive que reinventar tudo na minha vida.
        


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

NÓS NEGRAS

A ideia de chegar aos 30 anos, chamando mais atenção de quando eu tinha 20 e poucos é extremamente fascinante, inclusive pq hoje, sou muito próxima do que sempre quis ser, sendo bonita utilizando coisas que as pessoas sempre acharam estranho, e que hoje elas talvez chamem de ESTILO. Inclusive o fato de ser aquariana, de alguma forma, me ajuda mais do que antes, pq  minha estética está ainda mais a frente do meu tempo.
Esse é o segundo convite para fotos que tenho esse ano, o primeiro foi de uma agência de publicidade, mas eu não tinha grana p fazer o book, e agora a Exposição NÓS NEGRAS - cabelo e identidade que acontece até dia 28 de novembro na Universidade Católica - UCB, a ideia da Valeria Mattus, que tem a estética negra como tema do seu TCC.
Abaixo estão duas fotos da exposição e as reportagens que saíram.










quarta-feira, 12 de junho de 2013

O SILÊNCIO DOS LOBOS

O SILÊNCIO DOS LOBOS
Aldo Novak

Pense em alguém poderoso.
Essa pessoa briga e grita como uma galinha ou olha em calmo silêncio, como um lobo?
Lobos não gritam. Eles têm uma aura de força e poder. Observam em silêncio.
Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.
Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.
Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos.
Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.
Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia e continua a trabalhar mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.



Olhe... Sorria... Silencie... Vá em frente...
Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar. Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.
Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) idéia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques. Não é verdade. Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir. Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal.


Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.
Você pode escolher o silêncio.
Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenócrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar: "ME ARREPENDO DE COISAS QUE DISSE, MAS JAMAIS DE MEU SILÊNCIO".
Responda com o silêncio, quando for necessário. Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais. Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não ter que responder em alguns momentos.
Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas. E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas."