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quarta-feira, 19 de setembro de 2012




Podia-se não perder contato com as pessoas queridas.
Podia-se responder os e-mails com muito mais palavras.
Podia-se telefonar ao invés de encurtar tudo por sms.
Podia-se ganhar da preguiça e chamar amigos pra um jantarzinho.
Podia-se ultrapassar o tédio e organizar uma viagem.
Podia-se fazer mais visitas, pra se ver ao vivo e à cores.
Podia-se escrever uma carta, pra lembrar da própria caligrafia.
Podia-se largar mão de artificialidades e conversar com mais vontade.
Podia-se deixar pra lá a vaidade, e expor os sentimentos com mais verdade.
Podia-se deixar o orgulho de lado e procurar reacender os afetos congelados.
Podia-se dar um tempo aos formalismos das relações, e sair por aí, abraçando os outros,
beijando os outros, olhando nos olhos dos outros…
Podia-se redescobrir aquele amigo, daquele tempo, e surpreender…
Em meio à tantas metas e prazos, a gente sabe que é na companhia do outro, na intenção e na atenção dedicados à amizade e ao encontro que a vida faz sentido. Sem perder tempo com as miudezas que importam, perdemo-nos todos. Perdidos e acelerados, periga que um dia,  a gente não se ache mais.
*
‘Ultimamente têm passado muitos anos.’
Rubem Braga

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