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quarta-feira, 3 de abril de 2013

BAGUNCINHA


Cadê aqueles sonhos que até ontem estavam aqui? Não sei. Cadê aquele vinil com as músicas que eu tanto adorava porque traziam a tona aquela antiga lembrança? Não sei. Cadê meus versos rimados, a ampulheta que ficava na mesinha da sala, as minhas certezas que estavam emolduradas naquele quadro no corredor? Não sei, não sei, não sei. O que aconteceu comigo? Você.
Você é a causa da minha bagunça. Desde que você apareceu eu não sei onde foi parar quem eu costumava ser nem aquela caixinha onde eu conservava passados. Os sonhos estão espalhados pela cama, a areia da ampulheta que cronometrava o tempo errado está espalhada pelo chão e minhas certezas se jogam pela janela enquanto outras entram e se acomodam no sofá da sala. Tá tudo de pernas pro ar e de olhar virado na tua direção. Você me bagunça e eu não sei se quero arrumação. Você me bagunça feito música que arrepia, feito vento que despenteia, feito amor que arromba a porta e muda tudo de lugar.
Seu sorriso me assalta, sua falta me assola, seu olhar assina o atestado da minha loucura. Eu sei que quando você me olha assim você não entende de onde eu venho nem pra onde eu vou. Mas isso não importa porque eu também não sei, você tumultuou tudo em mim. Vou escrever e deixar na porta da geladeira: "você me bagunça, mas de um jeito bom". Não precisa fazer esforço pra me colocar em ordem novamente, é nessa bagunça que eu me encontro. Não importa o que eu era, importa o que a gente pode ser. É aqui nessa bagunça que eu sei onde está o giz de cera que vamos usar pra desenharmos nosso caminho naquela parede em branco, onde estão seus beijos, onde estão nossos amuletos. Sei que parece loucura, mas é só amor. Sei que parece bagunça, mas é só você redecorando o que eu sou. Tá tudo bem, tô reconsiderando o mundo daqui de dentro do teu abraço. É que ele fica bem melhor assim. A vida fica bem melhor assim.

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