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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

E SE O "AMOR" NÃO CHEGAR, VOU REINVENTA-LO

    Vivemos em uma sociedade, onde a mulher parece nascer fadada a alimentar a história das princesas Disney por toda eternidade, e quando não é a Disney, é a igreja reproduzindo em nossas cabeças a mesma histórinha sem fim.
      Bom, sou uma mulher preta, que depois de alguns anos "descobriu" que o fato de ter nascido de cor escura, foi-me imposto a falta de vivência plena de uma relação afetiva entre meus pares héteros pretos, descoberta essa que já me rendeu poucas horas de sono, revolta, raiva, tristeza e por ai vai.
    Consegui transformar grande parte disso em trabalho, tentando de alguma forma "ajudar" homens e mulheres pretas a se verem, há costurarem o que foi cortado pelo colonizador. E a cada casal preto que eu vejo dando certo de verdade, e não tô falando somente daquela lambenção de mimi não ( que também tem sua importância), mas falo de um casal preto que se respeita, e que compreende que está ao lado daquela mulher é uma dádiva, principalmente pelo histórico que ela carrega.
      Pois bem, esses dias deparei com meus anseios afetivos, e lembrei que sempre fui uma pessoa diferente, isso na infância, na adolescência e claro que iria repercutir na fase adulta, hoje tenho 32 anos, sou ativista negra e educadora, nunca casei e nem tenho filhos, tenho uma vida bem diferente das mulheres que estudaram e conviveram comigo, seja as mulheres da família, as do ensino médio ou as da faculdade. A maioria delas estão casadas e com filhos e são brancas.
        E nesses pensamentos me questionei: Será que eu nunca vou casar, nunca vou ter filhos (sempre quis adotar), e se eu fosse exatamente como sou, e fosse uma mulher branca, como seria ... pq de uma coisa eu sei, feia eu não sou, e alienada também não (modesta né!!! EMPODERADA) Será que seria aquelas brancas feministas que pegam geral, (fingem não está nem ai para o amor) xingam a torto e a direita e sairia com os seios a mostra e que os rapazes militantes acham um máximo (e que se casam com nossos homens pretos) ... ( QUERO NÃOOOO). 
        É ser essa metamorfose ambulante, chamada de Layla não é, e nunca foi fácil, sempre achei que a culpa era do meu signo aquário, depois me disseram que era minha cor, depois disseram que eram minhas escolhas, mas percebi que na verdade no final das contas eu nasci assim e não tinha como mudar muita coisa, porque sempre fui "santa" (não no sentido de puritana ou algo do tipo, mas no sentido de separada, escolhida), e na verdade sempre tive dificuldades de compreender.
      O que me resta, é me preparar psicologicamente caso o "amor não chegue"(ohh mulher sem fé) não é questão só de fé é algo social, parece que eu escolhi ir logo para o lado mais complicado né, mulher, preta, aquariana, pobre, militante, cristã, inteligente, bonita e com um ótimo senso de humor, uma pessoa dessa nunca entraria nos moldes do "casamento" europeu ... bom ele chegando ou não, terei que reinventa-lo como sempre tive que reinventar tudo na minha vida.
        


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