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quarta-feira, 15 de abril de 2015

As Rainhas estão prontas.

Sou a continuidade de mulheres negras que eram rainhas, que eram lavadeiras, que eram prostitutas ... sou a continuidade daquelas que nunca conheceram a escrita, daquelas que escreviam receitas naquele pedacinho velho de papel.  Daquelas pretas que nunca conheceram o verdadeiro amor de um homem preto e daquelas que sempre o tiveram ali do lado como um eterno companheiro.
A minha africanidade está na marca que trago no corpo e na alma, Layla do sorriso largo, debochada, sarcástica, risonha, de pele de ébano, dentes separados, olhos amendoados, estatura pequena, de quadris balançantes, mente pensante de nádegas avantajadas, voz alta de timbre forte, uso o poder da minha oralidade desde a tenra idade, sou um rio de crespos emaranhados, tenho característica de um povo que ficou perdido por ai, em corpos que ficaram no mar, na trajetória do navio negreiro, em danças de roda em algum Maranhão.
Tenho minha ancestralidade pintada na carne, nos traços e me reconheço em mulheres pretas como eu!
As Rainhas estão prontas.


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